Como funciona a quimioterapia em cães?
A quimioterapia utiliza medicamentos (citostáticos) que atacam as células que se dividem rapidamente. Como as células cancerígenas se multiplicam a uma velocidade vertiginosa, são particularmente sensíveis a estes fármacos. O tratamento pode reduzir o tamanho do tumor, travar o seu crescimento ou, em alguns casos, levar o cancro à remissão.
Nos cães, a quimioterapia é frequentemente utilizada em casos de:
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Linfoma (a razão mais comum)
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Mastocitomas (tumores de mastócitos)
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Osteossarcoma (cancro no osso, geralmente após a amputação)
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Hemangiossarcoma
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Certos tipos de cancro da mama
O tratamento pode ser administrado por via intravenosa (através de um cateter ou soro na clínica veterinária), sob a forma de cápsulas para dar em casa, ou uma combinação de ambos — dependendo do protocolo e do tipo de tumor.
O meu cão vai tolerar bem a quimioterapia?
Esta é a pergunta que todos os tutores fazem, e a boa notícia é: a maioria dos cães tolera a quimioterapia muito melhor do que os humanos.
Porquê? Na medicina humana, a dose é aumentada ao máximo possível para destruir o tumor de forma agressiva, mesmo que os efeitos secundários sejam muito pesados. Na oncologia veterinária, opta-se conscientemente por uma dosagem mais baixa, tendo como objetivo principal preservar a qualidade de vida. O resultado: a maioria dos cães continua ativa, come razoavelmente bem e mantém-se fiel à sua personalidade.
Ainda assim, isto não invalida que possam surgir alguns efeitos secundários.
Possíveis efeitos secundários
Problemas gastrointestinais
É o efeito secundário mais comum. Pode incluir:
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Náuseas ou vómitos
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Diminuição do apetite (normalmente 1 a 3 dias após o tratamento)
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Fezes moles ou diarreia
Estes sintomas são temporários e costumam desaparecer em 2 ou 3 dias. O teu veterinário pode receitar medicamentos contra as náuseas (antieméticos) para dares em casa durante esses dias.
Cansaço e letargia
É perfeitamente normal que o teu cão esteja mais sonolento ou calmo no dia seguinte ao tratamento. Deixa-o descansar, mas não o forces a ficar totalmente imóvel — passeios curtos e tranquilos são ótimos.
Supressão do sistema imunitário
Certos medicamentos de quimioterapia reduzem o número de glóbulos brancos (neutropenia), o que torna o cão temporariamente mais suscetível a infeções. O teu veterinário irá monitorizar isto através de análises ao sangue antes de cada sessão.
Queda de pelo
Na maioria dos cães, o pelo não cai ou cai muito pouco. As exceções são as raças com pelo de crescimento contínuo (como os poodles/caniches ou os bichons), cujo pelo pode ficar visivelmente mais fino.
Efeitos secundários mais raros
Dependendo do medicamento utilizado, podem ocorrer problemas cardíacos (como com a doxorrubicina), danos renais (com a cisplatina) ou problemas neurológicos. O teu veterinário irá explicar-te detalhadamente os riscos com base no protocolo escolhido.
O que podes fazer enquanto tutor durante o período de quimioterapia?
A alimentação é crucial
Uma boa ingestão de nutrientes ajuda o teu cão a tolerar melhor o tratamento e a recuperar mais depressa. Tenta estimular o apetite dele, especialmente nos dias seguintes à sessão, quando ele costuma ter menos vontade de comer. Porções pequenas, snacks extra saborosos e rotinas fixas serão os teus grandes aliados.
Mantém um diário
Regista diariamente o apetite, o nível de energia, as fezes e qualquer queixa ou alteração. Isso dará informações muito valiosas ao veterinário na consulta de revisão seguinte.
Sabe quando deves ligar ao veterinário
Entra em contacto imediato com a clínica se o teu cão:
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Passar mais de 24 horas sem comer ou beber.
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Vomitar mais de 3 vezes num dia.
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Tiver febre (temperatura superior a 39,5 °C).
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Estiver extremamente apático ou não reagir aos teus estímulos.
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Apresentar sangramentos ou inchaços invulgares.
Mantém um ambiente calmo em casa
O stresse pode agravar os efeitos secundários. Um ambiente tranquilo, as rotinas de sempre e a tua proximidade são o melhor remédio para o teu cão nestes momentos.
A quimioterapia é sempre a escolha certa?
Esta é uma pergunta para a qual não existe uma resposta universal. A escolha depende de vários fatores:
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O tipo e o estadiamento do cancro
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A idade e a condição de saúde geral do teu cão
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As tuas possibilidades de tempo e orçamento
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Aquilo que tu e o teu cão conseguem gerir emocionalmente
Um oncologista veterinário pode ajudar-te a ponderar as opções de forma honesta (quimioterapia, cirurgia, radioterapia, cuidados paliativos ou uma combinação). Não há decisões erradas, desde que sejam tomadas com amor e com a informação correta.
Conclusão
A quimioterapia em cães não é uma cópia do tratamento humano. O objetivo é diferente, a abordagem é mais suave e a probabilidade de o teu cão passar por isto com uma boa qualidade de vida é muito real. Estar bem informado — como estás agora — é o primeiro passo para oferecer o melhor cuidado ao teu companheiro de quatro patas.
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